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Conferências

Conferência I - Entre ciel et abîme : anges, démons et cacodémons dans la cabale chrétienne de la Renaissance

Dra. Flavia Buzzetta*

Horário: 14h - 15h30

Quarta-feira, 21.10

*Flavia Buzzetta é filósofa e historiadora do Renascimento. Doutora em Filosofia pela Università degli Studi di Palermo e pela École Pratique des Hautes Études (EPHE, Paris), obteve em 2025 a Habilitação para Dirigir Pesquisas (HDR) pela École Normale Supérieure de Paris. É pesquisadora associada ao Laboratoire d'Études sur les Monothéismes (Paris). Foi bolsista Fernand Braudel-Hastec, Marie Skłodowska-Curie, Vossius Fellow na Universidade de Amsterdã, Senior Researcher no Maimonides Centre for Advanced Studies da Universidade de Hamburgo e pesquisadora visitante na Universitat de les Illes Balears. Também atuou como diretora científica da Fundação Hausbrandt 1892, promovendo projetos dedicados ao Renascimento em sua pluralidade. Suas pesquisas concentram-se nas relações entre as tradições judaica e cristã durante o Renascimento, com especial atenção à filosofia, à magia e à Cabala cristã. É autora de numerosos artigos científicos, organizadora de obras coletivas, da monografia Magia naturalis e scientia cabalae in Giovanni Pico della Mirandola (Olschki, 2019) e da edição do Liber de homine (2015). Também desenvolveu o banco de dados internacional The Names of God and of Christ in the Syncretic Renaissance, dedicado aos nomes divinos na Cabala cristã.

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Mesa de Conferência

Horário: 19h

Quinta-feira, 22.10

OS LIMITES DA SUBVERSÃO: UM DEBATE SOBRE RELIGIÃO E POLÍTICA ACERCA DO SATANISMO RELIGIOSO (EUA, 1970)

Dra. Rafaela Arienti Barbieri* (Unioeste)​

Em 1966 nos Estados Unidos, a Igreja de Satã é fundada. Circulam imagens de Satã em revistas, jornais, programas de televisão e em filmes de horror, seja com sua habitual face animalesca, ou através de seus seguidores encapuzados e de uma utilização singular de certos símbolos, tais como o pentagrama invertido, cruz invertida e velas escuras. De toda forma, o satânico estava diversamente midiatizado e em profundo diálogo com o contexto assinalado. Nessa apresentação, instiga-se a pensar o Satanismo Religioso como um campo de estudos, na esteira de trabalhos como os de Per Faxneld (2017) e Ruben Van Luijk (2013, 2016), questionando principalmente a noção de subversão presente nos grupos religiosos que assim se nomeiam, mantendo o foco em sua expressão estadunidense localizada entre as décadas de 1960 e 1970. A releitura de Satã realizada por muitos deles, que remonta à premissa miltoniana de uma figura que inspira rebelião, conjuntamente às premissas desse satanismo desenvolvidas nos livros The Satanic Bible (1969), The Satanic Rituals (1972) e The Compleat Witch (1971), constituem o ponto de partida para pensar sobre os significados dessa rebelião, subversão e conceito de liberdade na especificidade deste contexto histórico.

*Professora Adjunta no Departamento de História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). É Doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com a tese ''God Help You When The Devil Wants You'': Uma História Social do Horror Satânico no Cinema Estadunidense. É mestre e graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). É membro do Grupo de Pesquisa História das Crenças e das Ideias Religiosas (HCIR/UEM), do Núcleo de Estudos em História e Cinema (NEHCINE/UFSC) e do CINEMA - Centro de Investigação e Estudos em Meios Audiovisuais (Univille). Ao longo do doutorado, aprofundou-se nas possibilidades de pesquisa e atuação que situam-se entre dois campos: História e Cinema, e História das Religiões. Debatendo sobre o caráter histórico das crenças, ideias religiosas e suas representações cinematográficas no horror, sistematizou o ciclo do cinema estadunidense que denominou Horror Satânico.

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Transcendendo o sabá: entre ocultismos, feminismos e religiosidades

Dra. Raisa Sagredo* (UFSC)​

Profanação de símbolos sagrados da cristandade, danças, celebração dos contrários, ​explosão de sexualidade, liberdade, banquetes, luxúria e pacto diabólico: é veredicto que o sabá das bruxas na Modernidade é, antes de mais nada, manifestação do que seria socialmente inaceitável, fruto da dualidade de tabus ligados a esses aspectos, dentro daquele contexto (Clark, 2006; Eliade, 1975,1979; Ginzburg, 2012). Na longa duração, ocultistas, feministas e bruxas neopagãs subverteram símbolos e elementos do macabro encontro noturno. Para diversos ocultistas do século XIX e XX, o sabá foi inspiração para ideias de liberdade social e da mente, além de celebração da natureza selvagem, como percebe-se em concepções do icônico Aleister Crowley e na ilustração La Danse du Sabbat (1870) de Émile-Antoine Bayard – expoente do revivalismo ocultista francês. Para algumas feministas de primeira e segunda onda, o sabá foi lembrado e articulado de forma criativa e militante, tirando o protagonismo da figura do Diabo e trazendo-o para as mulheres, agência esta que tinha relação direta, nessa construção, com pautas e demandas sociais de gênero da época, a exemplo da folclorista Margaret Murray em sua obra O Culto das Bruxas na Europa Ocidental (1921) e do movimento político W.I.T.C.H. (Women’s International Terrorist Conspiracy from Hell) da década de 1970. Por último, o encontro noturno foi ressignificado, reatualizado e sacralizado por tradições neopagãs de Bruxaria enquanto religião, como a Wicca de Gerald Gardner, formulada na ideia de grandes Sabbaths da Roda do Ano para ritos de devoção e que veio a influenciar diversas Tradições neopagãs. Assim sendo, proponho uma reflexão, através de imagens e obras literárias de cada contexto, pensados na longa duração advinda de Koselleck, a fim de pensarmos o conceito de transcendência para os diferentes tipos de sabás que emergem, perpassados por rupturas, permanências e ecos, e que se entrelaçam a novas experiências, subjetividades, contextos históricos e desejos.

*Raisa Sagredo é Doutora em História Global pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Coordenadora Adjunta do GEFEM - Grupo de Estudos entre o Feminino e o Masculino na Longa Duração (UFSC) -, Mestra em História, Licenciada e Bacharela em História, Pedagoga e professora da Rede Municipal de Educação Básica de Florianópolis. É membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Medievais (MERIDIANUM/UFSC) e do Projeto Meridianum Complexus, projeto de Extensão e História Pública/UFSC. Suas pesquisas são da área de História da Bruxaria, Usos do Passado da Antiguidade e do Medievo, História Moderna e História das Religiões e Religiosidades.

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Mesa de Conferência

Horário: 18h45

Sexta-feira, 23.10

IMAGO MUNDI E IMAGO CAELI NA MAGIA TALISMÂNICA MEDIEVAL

Dra. Aline Dias da Silveira* (UFSC)​

Na obra Picatrix (séc. XIII), tratado de filosofia neoplatônica aplicada à magia talismânica, a palavra imago é entendida como a natureza e movimento completo do espírito (tratado 3, capítulo 6 da versão latina do Picatrix), como também é a palavra latina para traduzir do árabe o que entendemos hoje como Talismã. A presente pesquisa busca analisar o entendimento da imagem como objeto magico em anéis, lâminas e estátuas fabricadas a partir da racionalidade e prática mágica. Serão utilizadas como fontes as obras astronômicas e astromágica do scriptorium afonsino e como aporte teórico-metodológico as reflexões do historiador da Arte Aby Warburg. Os resultados da análise apontam para a tese de que a imago mundi é entendida na obra mágica como a natureza completa manifesta no corpo humano e outros corpos sublunares, fruto da emanação da imago caeli no movimento dos corpos celestes.

*Aline Dias da Silveira é Professora Associada no Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, atua no Programa de Pós- Graduação em História e no PROFHistória. Possui doutorado em História Medieval pela Universidade Humboldt de Berlim-Alemanha (2008), mestrado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002). Nas últimas décadas, tem pesquisado o scriptorium de Afonso X de Castela (séc. XIII) e, nos últimos anos, pesquisa os livros de astromagia produzidos na corte afonsina, principalmente, o Picatrix e o Libro de Astromagia. A profa. Aline é coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Medievais – Meridianum UFSC/CNPq.

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Abjeção e Marginalidade nas Bruxas de Francisco de Goya (Séculos XVIII-XIX)

Dr. Edison Bisso Cruxen* (UNIPAMPA)​

A apresentação propõe abordar a temática da bruxaria, utilizando para reflexão obras imagéticas selecionadas dentre a riquíssima produção do pintor e tracista espanhol Francisco José de Goya y Lucientes (1746-1828). A análise está centrada em identificar e pensar a abjeção e a marginalidade a partir de sete obras, uma pintura e seis gravuras, que representam o corpo das bruxas e seus aquelarres/sabás. O mundo imagético “brujeril” de Goya, em pinturas sobre telas (Asuntos de Brujas) e em desenhos (Álbuns e Coleções) permite abordar diferentes aspectos dos estereótipos construídos e cristalizados sobre a bruxaria durante séculos, pela Igreja Católica e pela tradição popular. Objetiva-se explorar, a partir das obras de Francisco de Goya, as relações possíveis entre o corpo feminino envelhecido, abjeção, marginalidade e bruxaria.

*Edison Cruxen é Mestre em Arqueologia e Doutor em História pela PUCRS; Graduado em História pela UFRGS; Professor Associado do Curso de História da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), onde coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas em História Medieval (LAPEHME) e os Projetos de Pesquisa - “Livrai-nos do Mal”: Estudos sobre Demonologia, Bruxaria, Paganismo e Heresias nas Idades Média e Moderna e “Marginálias”: Estudos sobre Marginalidade e Subalternidade na Antiguidade e Idade Média.

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Por uma tipologia do conhecimento secreto: reflexões sobre Segredo e Sigilo entre a Idade Média e o Renascimento (Séculos XV-XVII)

Dr. Francisco de Paula Mendonça Júnior* (UFSM)​

O trabalho discute os entrecruzamentos entre a magia e a política durante os séculos XV e XVI, tendo como objeto central as relações sociais construídas a partir e entre segredo e sigilo.  Sua pesquisa lida com a relação entre a figura do secretarium, o funcionário real caracterizado pelo uso da comunicação cifrada para proteger os interesses principescos, e o magus, personagem que buscava desvendar o segredo divino ocultado na Natureza, para assim se conectar ao Criador, apresentando nesse processo uma alternativa para a renovação da fé cristã. O trabalho com obras como a Steganographia, do abade alemão Johannes Trithemius (1462-1516) e a De Furtivis Literarum Notis, do dramaturgo italiano Giambattista della Porta (1535-1615) forneceu elementos para concluir que os secretários empregaram os meios utilizados pelos magos para lidar com o segredo objetivando não apenas salvaguardar as informações de interesse do princeps, como a si mesmos também. Dessa forma, o nascimento do chamado "segredo de Estado" estaria na utilização no livro de segredos dos secretários das formas de se pensar e lidar com o secreto contidos no livro de segredos dos magos.

*Francisco de Paula Souza de Mendonça Júnior possui graduação em História (2005) pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestrado (2009) e doutorado (2014) em História e Culturas Políticas pela mesma universidade, com a realização de estágio sanduíche na Université Paris-Est Créteil. Ele também é membro da Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM), da Rede Brasileira de Estudos em História Moderna (H_Moderna) e do LAPS (Latin American Privacy Studies), vinculado ao Centre for Privacy Studies, pertencente à Universidade de Copenhague. Atualmente ocupa o cargo de codiretor do Centro de Estudios sobre el Esoterismo Occidental de la UNASUR (CEEO-UNASUR), grupo de pesquisas afiliado a ESSWE.

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Organização: 

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Apoio:

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